Deu Zebra!
Pequenos Gigantes: Deu Zebra! A Portuguesa não pode ser menosprezada.
Abrindo a série que relembra fatos marcantes das histórias dos chamados times pequenos do futebol carioca, trazemos a zebra, que virou mascote da Lusa.
O Campeonato Carioca já começou e a maioria dos chamados times grandes já perceberam que não terão vida fácil nesta edição. Ainda assim, naturalmente, os holofotes se voltam para os quatro protagonistas do torneio, que sempre iniciam a temporada com o rótulo de favoritos.
Mas, com o objetivo de mostrar que os considerados times pequenos também são recheados de fatos quem enchem seus torcedores de orgulho, iniciamos a série “Os pequenos gigantes do Rio de Janeiro”, onde enalteceremos histórias e casos que abrilhantam ainda mais a caminho percorrido por esses clubes.
Abrindo a sequência, trazemos a Portuguesa, que em 2018 sagrou-se campeã do torneio Rubro-Verde, contra os seus rivais homônimos já no primeiro mês do ano.

Apesar da conquista recente, vamos retornar a máquina do tempo para o início dos anos 60, quando a Lusinha era comandada pelo folclórico treinador Gentil Cardoso, famoso por suas tiradas e “causos” que se eternizaram no futebol do Rio de Janeiro.
Entre tantas histórias, a mais famosa acabou criando um termo que passou a não se restringir apenas ao universo do futebol, apesar de ter sido lançado para se referir a um fato ligado ao esporte. Dessa vez podemos dizer que se a ideia do “professor” não era se tornar uma figura popular, essa declaração “deu zebra”.
Em 1964, ano que o Vasco da Gama vivia uma fase conturbada, o técnico foi questionado se o time da Ilha do Governador tinha alguma chance de superar o rival mais tradicional, Gentil Cardoso tirou da cartola a frase “esse jogo pode dar zebra”.
Sem entender muito bem o que queria dizer, o jornalista pediu mais explicações para que pudesse levar aos leitores o prognóstico do comandante da Portuguesa e ele não fez mistério ao elucidar a dúvida daquele que o entrevistava.
O ônibus da Portuguesa estampa o simpático mascote na lataria.
O famoso Jogo do Bicho, tão ligado aos contraventores, reúne 25 animais, que são representados por uma sequência de números. Acontece que entre os animais que estão na lista de possíveis sorteados, a zebra não se encontra, ou seja, de acordo com o treinador, algo inesperado poderia acontecer naquela partida.
No dia 23 de julho de 1964, Vasco e Portuguesa se enfrentaram nas Laranjeiras, casa do Fluminense, para pouco mais de 4.500 torcedores, que presenciaram a história. Logo aos dez segundos, Inaldo abriu o placar para a Lusa. Ainda na primeira etapa, Mário foi ao ataque e conseguiu arrancar o empate. Porém, para desespero dos vascaínos, Tião fez o gol que garantiu a vitória para o time insulano.
No dia seguinte, os jornais cariocas estampavam em suas capas a previsão de Gentil Cardoso: “Deu Zebra!” e desde então, sempre que algo inesperado acontece, o brasileiro costuma repetir essa frase, tão famosa pelo país.
Como se não bastasse, cinco anos depois, a Portuguesa foi convidada para enfrentar nada mais, nada menos do que o poderoso Real Madrid, no Santiago Bernabéu. A partida festiva servia como jogo de entrega de faixas para os tricampeões espanhóis (67 / 68 / 69), que foram a campo com o time titular, sem desfalques. Apesar do amplo favoritismo dos donos da casa, “deu zebra” outra vez e os brasileiros venceram o duelo por 2x1, com dois gols de Miguel.
Depois disso, mesmo se quisesse, seria impossível não associar o simpático animal ao time da Portuguesa, que tem inclusive o mascote atualmente estampado na lataria de seu veículo oficial.